VINHO E SAÚDE: MITO OU VERDADE?


Categoria: Dicas de Saúde
Vinho; Saúde

VINHO E SAÚDE: MITO OU VERDADE?

Você escuta todos os dias, "vinho faz bem a saúde". ISSO é VERDADE? Essa idéia já existe de longa data. Mas por quê? No vinho podemos encontrar substâncias, que estudadas, têm demonstrado benefícios para a saúde cardiovascular. Já foram encontrados em frutas, vegetais, chás, cereais, cacau e soja uma alta quantidade de procianidina, uma classe de flavonóide. Essa é um composto químico relacionado com benefícios antioxidantes para prevenção do câncer. Roger Corder, professor de terapias experimentais da Universidade Queen Mary, de Londres, é autor do livro The Red Wine Diet (A Dieta do Vinho Tinto). O pesquisador relaciona estes compostos, aliados aos taninos (também encontrados no vinho e associados a retardar o envelhecimento celular) aos efeitos positivos do vinho tinto sobre a saúde. Quando as uvas são fermentadas por diversas semanas ou mais, as sementes podem liberar flavonóides que evoluem como moléculas mais complexas. A uva Tannat, por exemplo, contém um nível três ou quatro vezes maior de procianidinas do que outras uvas. Mas isso não acontece com todos as uvas e vinhos, o que sugere que os grandes benefícios da bebida podem ser restritos a um modo de produção mais tradicional (semelhante ao vinho tinto caseiro uruguaio). "A maior parte dos vinhos modernos não usa esta técnica durante a fabricação", afirma o cientista, reforçando a necessidade do consumo moderado.

Outras linhas de pesquisa, demonstram o papel do resveratrol, um composto encontrado na casca das uvas vermelhas que poderia retardar o envelhecimento e combater o câncer e a obesidade. Entretanto, a maioria dos vinhos tintos contém quantidades insignificantes de resveratrol , e aqueles que possuem um pouco, não contêm o suficiente para fazer qualquer efeito.

É importante relembrar que, mesmo em quantias moderadas, o álcool aumenta o risco de vários tipos de cânceres e outras doenças. Mas, então porque seria saudável beber vinho? Existem benefícios teóricos relacionados com essas substâncias encontradas nos vinhos. Enumerando abaixo:

1) AUMENTA O HDL-COLESTEROL: o consumo de pequenas quantidades diárias de álcool está relacionada ao aumento do "bom colesterol";

2) REDUZ O LDL-COLESTEROL: o chamado colesterol ruim, responsável em carrear as gorduras e formar os depósitos dessas nos vasos sanguíneos;

3) REDUZ AGREGAÇãO PLAQUETáRIA: diminue o risco de formação de trombos (presentes nos eventos de IAM e AVC);

4) AUMENTA A PRODUÇãO DE óXIDO NíTRICO (vasodilatador dos vasos sanguíneos), REDUZ A SíNTESE DE ENDOTELINA (efeito vasoconstritor) e REDUZ A ATIVIDADE INFLAMATóRIA NA PLACA ATEROSCLERóTICA.

Com esses benefícios, teoricamente, reduz-se o número de INFARTO AGUDO DO MIOCáRDIO. Portanto, parecem bastante significativos os dados a favor do vinho para se evitar as doenças cardiovasculares, embora o seu mecanismo seja complexo e não completamente compreendido. Entretanto, o médico deve prudentemente conversar com seu paciente sobre os efeitos deletérios (físicos e psíquicos) do álcool em excesso, principalmente em indivíduos com passado de dependência química.

Em relação aos efeitos do álcool na saúde, segundo a ORGANIZAÇãO MUNDIAL DE SAúDE (OMS), estudos apontam que o "consumo baixo ou moderado de álcool, resulta em uma redução no risco de doenças coronárias". Porém, a OMS adverte que outros riscos para a saúde e o coração associados ao álcool "NãO FAVORECEM EM UMA RECOMENDAÇãO GERAL DO SEU USO". Foi comprovado que o consumo não moderado de álcool está associado a um maior risco de doença de ALZHEIMER e outras DOENÇAS SENIS, ANGINA DE PEITO, FRATURAS E OSTEOPOROSE, DIABETES, ÚLCERA DUODENAL, CáLCULO BILIAR, HEPATITE A, CIRROSE HEPáTICA, LINFOMAS, LITíASE RENAL, CâNCER NO PâNCREAS, DOENÇA DE PARKINSON, ARTRITE REUMáTICA, GASTRITE, HIPERTENSãO E CARDIOMIOPATIAS. O consumo não moderado também pode dificultar a MEMóRIA e o aprendizado, e até piora a pontuação em testes de QI. Além de que corta o efeito de medicamentos de uma forma geral.

OU SEJA: NãO EXISTEM DOSES SEGURAS PARA O CONSUMO DE áLCOOL! SE CONSUMIR, CONSUMA POUCO!

Dr Ricardo Schneider



Gostou? Deixe seu Comentário

Dr. Ricardo Schneider


Médico, formado pela PUC-PR, CRM-PR 17214, residência em CIRURGIA CARDIOVASCULAR reconhecida pelo MEC, Membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e registrado no Conselho Federal de Medicina, Mestre em CLÍNICA CIRÚRGICA, responsável técnico pelo TRANSPLANTE CARDÍACO na Sociedade Hospitalar Angelina Caron, atua na área de CIRURGIA CARDÍACA.

+ INFORMAÇÕES