DIETA VEGETARIANA PODE SER SAUDÁVEL?


Categoria: Dicas de Saúde
Dieta Vegetariana; Vegetarianismo

VEGETARIANISMO É SAUDÁVEL?

Cresce, nos dias atuais, a idéia de que a alimentação vegetariana é a melhor escolha para uma vida saúdavel. ISSO é VERDADE? O CONSUMO DE CARNE é PREJUDICIAL A SAúDE?
Para respondermos a essas perguntas é importante um pouco de conhecimento de nosso sistema digestivo e do desenvolvimento de nosso organismo. Quando nascemos, o aleitamento materno é fundamental. Os nutrientes presentes nele são o suficiente para nutrir e acelerar o desenvolvimento.
Dos 6 aos 12 meses de idade, a criança desenvolve-se rápido e passa a ser mais independente, com todas as estruturas físicas desenvolvidas e amadurecidas e intelectualmente ativa. A diversificação na alimentacão, a partir desse período, é uma etapa fundamental do desenvolvimento e contribuiu para que a criança adquira bons hábitos alimentares.
Se a criança, depois dos 6 meses, só toma leite ou seus derivados, terá deficiência de ferro. Isso leva a anemia que provoca dores musculares, sonolência, diminuição do ganho de peso e manchas brancas na pele. Se faltam proteínas isso pode influenciar no crescimento e na estatura final da criança. Sua imunidade também ficará reduzida, ficando esta exposta a um maior número de doenças, como infecções e viroses. E se a oferta de vitaminas e minerais é baixa, a qualidade da formação óssea fica prejudicada, o que pode interferir no seu desenvolvimento físico (incluindo a mal-formação dentária).

ORIENTAÇõES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA

Até os 6 meses, o bebê precisa do leite materno, que contém todos os nutrientes e os anticorpos para que ele fique longe de doenças. Quando a mãe não pode amamentar, o pediatra receita uma fórmula infantil, que é o leite em pó modificado, de acordo com as necessidades da criança. Depois dos 6 meses, o leite continua sendo importante, junto com papinhas, frutas e sucos.
A alimentação oferecida depois dos seis meses, deve ser composta de cereais ou tubérculos, leguminosas, carnes e hortaliças. Deve ser a mais ampla possível de proteínas heterólogas e glúten, visando à aquisição de tolerância e à redução no risco de alergenicidade. O ovo (clara e gema) deve ser introduzido também nessa fase, lembrando que frequentemente as mães oferecem para as crianças alimentos que já possuem ovo na sua composição, e por isso, não seria necessário retardar a sua introdução.
Só uma alimentação variada oferece à criança quantidade de vitaminas, cálcio, ferro e outros nutrientes que ela necessita, além de contribui para evitar anorexia crônica e baixa ingestão de energia. Se a criança recusar determinado alimento, deve-se oferecer novamente em outras refeições. Lembrar que são necessárias em média, oito a dez exposições a um novo alimento para que ele seja aceito pela criança. Não há restrições à introdução concomitante de alimentos diferentes, mas a refeição deve conter pelo menos UM ALIMENTO DE CADA GRUPO:

• Cereais ou tubérculos;

• Leguminosas;

• Carnes (vaca, ave, suína, peixe ou vísceras, em especial o fígado) ou ovo; lembrar que as vísceras, quando utilizadas, deverão sofrer cozimento atento e demorado a fim de evitar possíveis contaminações pela manipulação em abatedouros, com grande incidência de salmoneloses;
•Hortaliças (verduras e legumes).

A carne, na quantidade de 50 a 70 g/dia (para duas papas), não deve ser retirada após o cozimento, mas sim picada, tamisada (cozida e amassada com as mãos) ou desfiada, e é fundamental que seja oferecida à criança (procedimento fundamental para garantir a oferta adequada de ferro e zinco).

DIETA VEGETARIANA

Uma dieta baseada em alimentos de origem vegetal possui uma baixa densidade calórica, além de quantidade reduzida de gorduras totais, saturadas e colesterol. Isso favorece não somente a reduzir o peso, mas também reduzir os níveis de gorduras sanguíneas, teoricamente, diminuindo o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (será? Leia também "Colesterol e Gorduras: O que são?"). Com uma alimentação rica em frutas, legumes e verduras a quantidade de fibras, vitaminas e minerais fica dentro dos níveis recomendados. Com o alto consumo de fibras o bom funcionamento do intestino e a sensação de saciedade também são favorecidos.

DESVANTAGENS DA DIETA VEGETARIANA

Ao restringir o consumo de alguns alimentos deixamos muitas vezes de ingerir nutrientes essenciais ao nosso organismo. No caso da Dieta Vegetariana, ao serem excluídos alimentos de origem animal, estamos DEIXANDO DE CONSUMIR VITAMINA B12, FERRO, CáLCIO E ZINCO. A falta desses nutrientes, fundamentais na criança, pode levar a doenças graves e irrecuperáveis!
O CáLCIO é um mineral que participa da formação e manutenção de dentes e ossos. Uma restrição em seu consumo, a longo prazo, pode favorecer o desenvolvimento de OSTEOPOROSE. A VITAMINA B12 é um micronutriente encontrado EXCLUSIVAMENTE EM PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL e é utilizada na síntese de glóbulos vermelhos, atuando na prevenção de anemia. Esse componente não tem substituto em outros alimentos de origem não animal. O FERRO é uma das maiores preocupações, ao se avaliar a alimentação dos seguidores da Dieta Vegetariana. Assim como a vitamina B12, esse mineral é um componente fundamental dos glóbulos vermelhos, pois junto como a hemoglobina realiza o transporte de oxigênio na corrente sanguínea. As CARNES são as principais fontes desse nutriente. O ZINCO também encontrado nas carnes é fundamental para síntese de muitas enzimas assim como desempenha importante papel na formação de proteínas e divisão celular. O peixe, excluído da mesa vegetariana, é rico em ÔMEGA 3 - importante para a formação da BARREIRA DE MIELINA, membrana que envolve as fibras nervosas e conduz o estímulo nervoso.
Vamos enumerar então quais devem ser os maiores cuidados para aqueles que são vegetarianos ou pretendem aderir a uma dieta sem carne:

1) PROTEíNAS

A proteína de origem animal é a que tem a melhor absorção pelo nosso organismo. O corpo necessita de proteína para manter pele, ossos, músculos e órgãos saudáveis. Se não tem carne, devem ser utilizadas outras fontes de proteínas de origem animal como leite e derivados e ovos.
O ovo contém vários nutrientes importantes para o organismo, como vitaminas lipossolúveis (A,D, E e K), vitaminas do complexo B e minerais como ferro, fósforo, potássio, sódio. As proteínas do leite e seus derivados são de fácil digestão. Têm elevado valor biológico, contendo os aminoácidos essenciais a uma dieta equilibrada e nutritiva.
Alimentos à base de soja, também podem ser utilizados para suprirem as proteínas. Leguminosas como feijão, lentilha, grão-de-bico também são ótimas alternativas. As frutas oleaginosas como a castanha-do-pará e os cereais integrais também.

2) FERRO


 A melhor fonte do mineral Ferro são os alimentos de origem animal (Ferro Heme), principalmente a carne vermelha. O ferro é um nutriente essencial para a vida e atua principalmente na síntese (fabricação) das células vermelhas do sangue responsáveis pelo transporte do oxigênio para todas as células do corpo. ANEMIA é o problema mais comum associado à falta de ferro. O sistema imunológico fica deprimido, pode ocorrer queda de cabelo e alterações nas unhas. Entretanto, também é possível obter este mineral através de alimentos de origem vegetal, como as leguminosas (feijões, fava, grão-de-bico, ervilha, lentilha). Mas, para a absorção desse ferro proveniente das leguminosas, é necessário a ingesta concomitante de vitamina C. Inclua goiaba, laranja, kiwi, morango, caju, tomate, acerola ou limão na mesma refeição. O feijão, por exemplo, é rico em ferro. Porém, nosso organismo só consegue absorver cerca de 10% do mineral. No entanto, se o feijão for acompanhado de um alimento rico em vitamina C, como o limão, a absorção pode chegar a 40%.
Deve-se evitar, nessa dieta, o consumo de chás, como o preto e o mate, cafés, leites e derivados próximo às refeições que contém ferro, pois a cafeína e o cálcio também são componentes que prejudicam a absorção do mineral. O uso de suplementos de ferro pode, por vezes, ser recomendado (através de exames de sangue para avaliação da necessidade de reposição).

3) VITAMINA B12

A falta deste nutriente é comum entre as pessoas que não comem carnes, ovos e nem laticínios. Plantas não sintetizam nem armazenam vitamina B12, sendo a principal fonte desta vitamina nos animais por síntese microbiana (bactérias que existem na flora intestinal de todos os animais). A vitamina B12 é usada na produção de glóbulos vermelhos. A carência de vitamina B12 no organismo pode provocar anemia (perniciosa) e alterações neurológicas. Em casos de deficiência já instalada, SUPLEMENTOS via oral ou INJEÇÕES com grande dosagem da vitamina fazem a reposição da substância (A B12 dos suplementos é proveniente de cultura de bactérias em laboratório). Os veganos também podem obter vitamina B12 a partir de suplementação. Se a reposição demorar a acontecer, os danos neurológicos podem ser PERMANENTES.

4) EXCESSO DE CARBOIDRATOS

A dieta vegetariana bem planejada tende a oferecer um bom suprimento da maioria dos minerais e vitaminas, além de quantidades balanceadas de carboidratos, proteínas e lipídios. Entretanto, se a dieta for MAL PLANEJADA, pode contribuir para o surgimento de DEFICIêNCIAS NUTRICIONAIS e até mesmo para o EXCESSO DE PESO em alguns casos.
Quem deseja adotar a dieta vegetariana e, ao mesmo tempo, emagrecer deve evitar alimentos fritos, massas ou alimentos em geral com molhos gordurosos, doces gordurosos como bolos, tortas, cremes, chocolates. Também é preciso prestar atenção no exagero de carboidratos, presentes em pães, risotos, pizzas, massas em geral. Uma alimentação LOW CARB sempre é recomendada, mesmo para os não vegetarianos.


5) CáLCIO

O cálcio é um mineral essencial para a saúde de dentes e ossos. É também essencial para a coagulação sanguínea e ainda tem um papel especial na contração muscular (incluindo o músculo cardíaco). O leite e seus derivados são a melhor fonte do mineral. Existem muitos novos alimentos vegetarianos enriquecidos com cálcio. É recomendada a suplementação caso não seja atendida à quantidade de cálcio com a alimentação. Folhas verde-escuro (especialmente brócolis, folhas de couve e mostarda) nozes, avelãs e amêndoas também contêm cálcio e devem fazer parte do cardápio vegetariano.
Há também alguns compostos alimentares, chamados prebióticos, não digeríveis e que estimulam o crescimento de um número de bactérias benéficas no intestino. Essas bactérias harmonizam a flora intestinal e favorecem a absorção do cálcio. Cebola, alcachofra, escarola, alho-poró e chicória são alimentos que incentivam o crescimento dessas bactérias.

6) ZINCO

A baixa ingestão de zinco, presente nas carnes bovinas, também pode ser detectada em dietas vegetarianas. Quando o mineral está em falta, ocorrem lesões de pele e cabelo, perda do paladar e infecções devido a menor eficiência do sistema imunológico. Feijões, leguminosas em geral, sementes (girassol, linhaça, gergelim) são boas fontes de zinco.

ENTÃO É POSSíVEL UMA DIETA VEGETARIANA SAUDÁVEL?
NÃO SEM ACOMPANHAMENTO! NÃO BASTA SÓ NÃO COMER CARNE!

É importante que os seguidores da Dieta Vegetariana sejam acompanhados por médicos e nutricionistas, pois estes profissionais poderão orientá-los indicando possíveis alternativas para suprir o consumo dos nutrientes que faltam numa alimentação sem carne, o que geralmente é atingido por meio de SUPLEMENTAÇãO. E o mais importante, NÃO É RECOMENDADA ESSE TIPO DE DIETA PARA CRIANÇAS. Após seu desenvolvimento ponderal e intelectual, essas poderão ou não optar pelo vegetarianismo.

Dr. Ricardo Schneider



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Dr. Ricardo Schneider


Médico, formado pela PUC-PR, CRM-PR 17214, residência em CIRURGIA CARDIOVASCULAR reconhecida pelo MEC, Membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e registrado no Conselho Federal de Medicina, Mestre em CLÍNICA CIRÚRGICA, responsável técnico pelo TRANSPLANTE CARDÍACO na Sociedade Hospitalar Angelina Caron, atua na área de CIRURGIA CARDÍACA.

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