CARDIOMIOPATIAS


Categoria: Cirurgia Cardíaca
Cardiomiopatias

CARDIOMIOPATIAS

O QUE SãO CARDIOMIOPATIAS? Como o próprio nome diz são doenças que envolvem o músculo cardíaco (Cardio=coração, mio=músculo, patia=doença). O músculo cardíaco apresenta disfunção (alteração de sua contratilidade) e aumento de seu tamanho. Anatomicamente, elas são classificadas como dilatadas (dilatação do músculo cardíaco), hipertróficas (aumento da espessura do músculo cardíaco), restritivas (alteração do músculo cardíaco com formação de fibroses e restrição da sua contratilidade) e menos comumumente como displasias arrritmogênicas do ventrículo direito (doença que provoca fibrose somente no ventrículo direito). Quanto à sua etilogia podemos classificá-las como IDIOPáTICAS OU SECUNDáRIAS.

1. CARDIOMIOPATIA IDOPáTICA OU ESSENCIAL: O acometimento aparece por pré-disposição genética (hereditariedade). Ocorre a dilatação e aumento gradual do músculo cardíaco que passa a apresentar dificuldade em contrair. Grande parte das dilatadas e a displasia arritmogênica do ventrículo direito fazem parte dessa classificação.

2. CARDIOMIOPATIA SECUNDáRIA: ocorre por outra patologia que acomete o músculo cardíaco. Exemplos:

a) CARDIOMIOPATIA ISQUêMICA: disfunção cardíaca devido a uma doença aterosclerótica grave nas artérias do coração (artérias coronárias). Placas de gordura nessas artérias provocam falta de fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco provocando áreas de fibrose (infarto) e hipocontratilidade (dificuldade na contração). Quando essas placas demoram a ser ou não conseguem ser tratadas com Angioplastias ou cirurgias, provocam danos permanentes com quadro de insuficiência cardíaca;

b) CARDIOMIOPATIA HIPERTENSIVA: o não tratamento ou tratamento irregular da pressão arterial elevada, leva a hipertrofia (aumento) do músculo cardíaco, podendo, por vezes, levar ao dano da função miocárdica de maneira irreverssível;

c) CARDIOMIOPATIA CHAGáSICA: a doença de chagas, causada pelo protozoário chamado trypanossoma cruzi, leva a dilatação do músculo cardíaco e quadro de insuficiência cardíaca;

d) MIOCARDITES: infecções virais, das mais variadas possíveis (até mesmo simples resfriados), podem provocar processo inflamatório agudo que desencadeia alteração da contratilidade e dilatação da musculatura cardíaca (podendo ser temporário ou definitivo);

e) CARDIOMIOPATIA RESTRITIVA: Substituição do tecido muscular cardíaco por tecido anormal, como tecido cicatricial. Pode ser por causa desconhecida, mas comumente está associada a outras doenças (consequência de radiações, infecções ou cicatrização pós cirurgia).

f) CARDIOMIOPATIA PóS-PARTO: a sobrecarga de peso, em curto período de tempo, como ocorre na gravidez, pode afetar a função do coração. Mais comum em pacientes com algum problema cardíaco prévio. Também pode ser temporária ou definitiva.

g) CARDIOMIOPATIA ALCOóLICA: O álcool é fator conhecido que, quando utilizado em altas doses e de maneira repetitiva, ocasiona dano ao músculo cardíaco com dilatações e insuficiência cardíaca.

h) CARDIOMIOPATIA POR USO DE DROGAS: uso de medicamentos anabolizantes, quimioterápicos, drogas ilícitas (como cocaína e heroína) e estimulantes podem também provocar doenças irreverssíveis ao coração.

QUAIS OS SINTOMAS DAS CARDIOMIOPATIAS?

O paciente cardiopata inicia suas queixas com "cansaço e falta de ar". Começa aos esforços e, na evolução da doença, aparece mesmo ao repouso (ortopnéia). Pacientes relatam acordar a noite com falta de ar (dispnéia paroxística noturna).
O segundo sintoma mais referido é o "inchaço". Edema que aparece inicialmente em membros inferiores, mas que também evolue para todo o corpo (anasarca).
Palpitações também estão presentes, devido a presenças de arritmias pelo aumento das cavidades cardíacas (muito presente nas restritivas). Dores de cabeça, tonturas, desmaios, câimbras e fraqueza generalizada fazem parte dos sintomas. A doença é incapacitante se não tratada. É uma doença grave, e seu tratamento deve ser iniciado o mais precoce possível.

COMO TRATAR A CARDIOMIOPATIA?

TRATAMENTO MEDICAMENTOSO

Importante para o tratamento é determinar a etiologia. Fatores removíveis devem ser observados no caso das secundárias. Entretanto, TODAS receberão tratamento medicamentoso de USO CONTíNUO.
A terapia com medicamentos tem o intúito de "combater" a resposta fisiológica do coração, que por vezes, agrava o quadro. Na tentativa de aumentar o aporte sanguíneo, que está prejudicado com a dificuldade de contração do coração, esse acelera (taquicardia). Entretanto, isso provoca fadiga (cansaço) da musculatura cardíaca e piora ainda mais a sua função. A classe de medicamentos preconizada para evitar esse quadro são os BETA-BLOQUEADORES.
O sangue que chega ao coração tem dificuldade em ser ejetado para o corpo. O sangue oxigenado proveniente dos pulmões fica represado nesses. Ocorre o aumento da pressão pulmonar. O medicamento para controle e redução dessa pressão é a ESPIRONOLACTONA. Em casos de hipertensões pulmonares mais graves a SILDENAFILA é recomendada.
O retorno de sangue venoso dos membros e órgãos para o coração também fica prejudicado. Ocorrem edemas (principalmente em membros inferiores e posteriormente no abdômen). Os DIURéTICOS são utilizados para diminuir essa retenção hídrica excessiva (estão contra-indicados nas restritivas). E para retirar a sobrecarga de volume do coração (que leva a hipertrofia e posterior dilatação) medicamentos com efeitos VASODILATADORES (como INIBIDORES DA ECA E BLOQUEADORES DO SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA) são utilizados.
Para ajudar na contratilidade miocárdica, em paciente sintomáticos, medicamentos DIGITáLICOS também podem ser associados (melhoram o aporte de cálcio para dentro das fibras musculares cardíacas).

TRATAMENTO CIRúGICO

Quando o coração dilatada, a musculatura interna que sustenta a valva mitral (músculos papilares) é tracionada para baixo, deixando esta valva disfuncionante (insuficiente). Se mesmo com o tratamento medicamentoso otimizado não ocorre melhora dessa disfunção, está indicado a TROCA DA VALVA MITRAL COM TRAÇãO DE MúSCULOS PAPILARES. Essa cirurgia é um tratamento coadjuvante para a melhora da função cardíaca e sintomas da doença.
Em pacientes com importante dilatação ventricular, ao ponto de ocorrer batimentos dessincronizados dos ventrículos, e já com terapia medicamentosa otimizada, indica-se a colocação de MARCAPASSO RESSINCRONIZADOR. Esse, tem por objetivo, ajustar os batimentos ventriculares. Com isso ajuda na melhora da fisiologia da contração cardíaca na busca de terapia, também coadjuvante, para tratamento e controle dos sintomas da insuficiência cardíaca. Em casos em que a presença de arritmias ventriculares graves estão presentes, associa-se a esse o CARDIODESFIBRILADOR IMPLANTÁVEL, a fim de se evitar a morte súbita originada por essas arrtimias.
Hoje, já existem dispositivos de assistência ventricular (corações artificias) disponibilizados como aparelhos para-corpóreos ou totalmente implantáveis. Grandes centros internacionais (EUA, Alemanha, Canadá) já utilizam de rotina esse tipo de equipamento. No Brasil, ainda estão disponíveis em poucos centros.
Se não houver resposta ao tratamento com medicamentos, ou sem resposta aos tratamentos indicados acima, o paciente deve ser avaliado para TRANSPLANTE CARDíACO. Para isso, deve ser realizado um protocolo, que avalia não só o coração, mas também os outros órgãos (pulmões, rins, fígado), para indicação ou contra-indicação desse procedimento (leia mais no tópico "Transplante Cardíaco").

Dr. Ricardo Schneider



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Dr. Ricardo Schneider


Médico, formado pela PUC-PR, CRM-PR 17214, residência em CIRURGIA CARDIOVASCULAR reconhecida pelo MEC, Membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e registrado no Conselho Federal de Medicina, Mestre em CLÍNICA CIRÚRGICA, atua na área de CIRURGIA CARDÍACA / CARDIOLOGIA

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